Impacto na Saúde
As consequências das alterações climáticas urbanas no bem-estar e saúde pública
Riscos para a Saúde Pública
As ilhas de calor urbano em Lisboa têm implicações diretas na saúde dos habitantes. O aumento das temperaturas, especialmente durante eventos de calor extremo, está associado a diversos problemas de saúde que afetam particularmente grupos vulneráveis como idosos, crianças, pessoas com doenças crónicas e indivíduos com menor acesso a recursos de climatização.
O stress térmico prolongado pode levar a desidratação, exaustão pelo calor e, em casos extremos, golpes de calor. Além disso, as temperaturas elevadas agravam condições de saúde pré-existentes, aumentam a poluição do ar e afetam a qualidade do sono, com consequências a longo prazo para o bem-estar geral.
Problemas Respiratórios
As altas temperaturas urbanas estão frequentemente associadas a níveis mais elevados de poluição atmosférica. A combinação de calor e poluentes cria condições que agravam problemas respiratórios como asma, bronquite e outras doenças pulmonares. Em Lisboa, durante períodos de calor intenso, a qualidade do ar pode deteriorar-se significativamente, especialmente em zonas com tráfego intenso e pouca circulação de ar.
O ozono troposférico, que se forma mais facilmente em condições de calor e luz solar, é particularmente problemático. Este poluente pode causar irritação das vias respiratórias e agravar condições pulmonares existentes, representando um risco adicional para a saúde pública durante os meses mais quentes.
Doenças Cardiovasculares
O calor extremo coloca stress adicional no sistema cardiovascular. O corpo trabalha mais para manter a temperatura interna estável através da transpiração e aumento do fluxo sanguíneo para a pele. Para pessoas com doenças cardíacas ou hipertensão, este esforço adicional pode ser perigoso.
Estudos indicam que durante ondas de calor, há um aumento significativo em hospitalizações e mortes relacionadas com problemas cardiovasculares. Em Lisboa, onde as temperaturas podem permanecer elevadas durante a noite devido às ilhas de calor, o período de recuperação é limitado, aumentando o risco de eventos cardiovasculares.
Grupos Vulneráveis
Idosos
As pessoas idosas são particularmente vulneráveis ao calor extremo. A capacidade de regulação térmica diminui com a idade, e muitas vezes têm condições de saúde pré-existentes que são agravadas pelo calor. Além disso, podem ter menor mobilidade para procurar locais mais frescos ou acessar recursos de climatização.
Crianças
As crianças são mais sensíveis ao calor devido à sua maior superfície corporal em relação ao peso e à menor capacidade de transpiração. Durante períodos de calor intenso, é essencial garantir que as crianças tenham acesso a locais frescos e hidratação adequada.
Populações com Menos Recursos
Indivíduos e famílias com menor poder económico enfrentam desafios adicionais. O acesso limitado a sistemas de climatização, habitação em zonas mais quentes da cidade e menor capacidade de adaptação aumentam a vulnerabilidade aos efeitos do calor urbano.
Qualidade do Sono
As temperaturas elevadas durante a noite, características das ilhas de calor urbano, afetam significativamente a qualidade do sono. Para um sono reparador, o corpo precisa de uma temperatura ambiente mais baixa. Quando as temperaturas noturnas permanecem elevadas, o sono é fragmentado e menos profundo.
A privação crónica de sono tem múltiplas consequências para a saúde, incluindo comprometimento do sistema imunitário, aumento do risco de doenças metabólicas e problemas de saúde mental. Em Lisboa, onde as diferenças térmicas noturnas entre zonas urbanas e rurais são pronunciadas, o impacto na qualidade do sono varia significativamente entre bairros.
Estratégias de Proteção
Proteger a saúde pública dos efeitos das ilhas de calor requer uma abordagem multinível. A nível individual, é importante manter-se hidratado, evitar exposição direta ao sol durante as horas mais quentes e procurar locais frescos. A nível comunitário, a criação de espaços públicos com sombra e água, e a implementação de sistemas de alerta para ondas de calor são essenciais.
A longo prazo, a redução das ilhas de calor através de planeamento urbano sustentável é a estratégia mais eficaz. Aumentar espaços verdes, melhorar a circulação de ar e usar materiais de construção que reduzam a absorção térmica podem diminuir significativamente os riscos para a saúde pública associados ao calor urbano.